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Fisioterapia: Dr. Carlos Vaz responde às dúvidas dos internautas | Corporalidade

Fisioterapia: Dr. Carlos Vaz responde às dúvidas dos internautas

August 4th, 2009 by Alexis Kauffmann | Filed under Fisioterapia.

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Géssica Hellmann
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Fone: (47) 3467-3482

A revista “Géh – Corporalidade” tem sido muito procurada por internautas com dúvidas sobre lesões articulares, doenças reumáticas, dores diversas ligadas à prática de alguma atividade física específica, qual a melhor atividade ou tratamento para cada caso, entre muitas outras perguntas que não podem ficar sem resposta. Procuramos novamente o fisioterapeuta Dr. Carlos Luiz Vaz Alves (celular: (21) 92360827) e, mais uma vez, oferecemos aos nossos visitantes informações precisas de um dedicado especialista, em linguagem simples para que sejam úteis a todos. (Alexis Kauffmann).

Nude study por Josepha Van Den Anker

Nude study por Josepha Van Den Anker

Hérnia de Disco

A principal dúvida sobre a hérnia de disco é “devo ou não me submeter à cirurgia”? Há diversos tratamentos para hérnia de disco, mas a dúvida que chega até mim com mais freqüência é o dilema entre “operar ou não operar”. Tenho muitos pacientes que já foram a quatro médicos: dois disseram para operar e dois disseram para não operar. O que fazer nesse caso? Na minha visão, a resposta é simples: tente primeiro o tratamento conservador, sendo a hidroterapia e o RPG as mais indicadas. Sei que a osteopatia também pode ser uma boa indicação, embora não seja minha especialidade.

Um problema do tratamento conservador é que ele oferece resultados a médio ou longo prazo e, em algum casos, pode demorar muito a aliviar a dor. Se a dor persistir digamos, após um ano de tratamento, o paciente deve fazer a cirurgia.

Nesse caso, alguém pode perguntar: “Então por que perder tempo fazendo fisioterapia”? É importante que o paciente entenda que não perdeu tempo ao tentar o tratamento conservador antes da cirurgia. Por quê? Primeiro, porque é uma grande vitória ficar curado sem precisar de cirurgia. Segundo, porque, se for necessário operar, as pessoas têm uma recuperação melhor e mais rápida do que os pacientes que se submetem à cirurgia sem um tratamento pré-cirúrgico. O certo é que todo mundo, antes da cirurgia de hérnia de disco, faça um tratamento que prepare a musculatura e os ligamentos para uma melhor recuperação.

Qual é o melhor tratamento? Varia muito de pessoa para pessoa. Algumas se sentem melhor com RPG, outras com hidroterapia e um número menor, mas significativo, com Pilates.

O risco cirúrgico das intervenções para hérnia de disco hoje em dia é mínimo, esse é outro mito que preciso desfazer. Antigamente, havia um risco significativo de lesar a medula. Atualmente, há uma série de exames e técnicas que dão ao médico uma visão muito completa da região em que vai agir. Inclusive, já está em disponível a nucleoplastia. Nem todos os pacientes podem se beneficiar da nucleoplastia, inclusive por causa do preço, mas é uma novidade promissora. O preço dessa cirurgia já está caindo e alguns planos de saúde já cobrem parte do custo. Em termos simples, a nucleoplastia é realizada com uma câmera e uma agulha a laser que, literalmente, “detona” a hérnia de disco. É uma técnica que permite que você entre na sala de operações e, duas ou três horas depois, já esteja a caminho de casa.

Em todo caso, o tratamento conservador é recomendável antes da cirurgia. Porque há casos em que o paciente supera a dor com dois ou três meses de fisioterapia. E, por menor que seja, toda cirurgia envolve algum grau de risco que, se for possível, é melhor evitar. Mesmo no caso da nucleoplastia, a recuperação do paciente é melhor com um programa de fisioterapia pré-cirúrgico.

Neste momento, estou acompanhando o caso de uma paciente que está comigo na hidroterapia há seis meses. Já saiu da crise, consegue fazer todos os movimentos, mas a dor persiste, por isso vai fazer a cirurgia. Depois que ela sair da cirurgia, vai voltar à hidroterapia e, então, poderei fornecer melhores informações sobre a nucleoplastia, já que terei um caso prático sob meu acompanhamento direto para relatar.

Vale acrescentar que há alguns poucos casos muito graves e persistentes de hérnia de disco que só podem mesmo ser resolvidos com uma cirurgia mais invasiva, usando parafusos. Esses casos estão se tornando cada vez mais raros porque dificilmente os pacientes deixam que a doença se agrave a esse ponto. Em geral, as pessoas já procuram se tratar nos estágios iniciais, evitando assim a necessidade desse tipo de tratamento.

Espondilólise e Espondilolistese

A espondilólise é uma fratura na vértebra. A espondilolistese é o caso em que uma vértebra sai do lugar, “escorrega” sobre a outra, por assim dizer. Ambas provocam dor muito intensa. Tratamento? Fisioterapia: RPG ou Hidroterapia.

No caso da espondilolistese, a fisioterapia não coloca de volta no lugar a vértebra que se deslocou, mas alivia a compressão sobre o nervo que esteja causando a dor. Então, é possível que você faça o tratamento, melhore, fique três ou quatro anos se sentindo bem e, subitamente, volte a sentir dor.

O tratamento cirúrgico para esses casos é mais complicado do que para a hérnia de disco. Na espondilólise, como se trata de uma fratura, com o tempo e o tratamento ela se consolida sozinha. Já para corrigir cirurgicamente a espondilolistese é preciso usar parafusos para fixar a vértebra.

AVD e Convívio com a Dor

No caso desta pessoa que perguntou sobre “como conviver com a dor da espondilolistese”, acredito que é importante esclarecer que a pessoa não deve se conformar a “conviver” com a dor. Para todas as dores existem tratamento. Para a espondilolistese, é um tratamento a longo prazo, mas você não deve pensar em conviver com a dor, mas em curá-la.

Algumas dores são realmente incuráveis mas, mesmo nesses casos, é possível melhorar a “qualidade dos dias” de vida dessa pessoa. Nós chamamos a isso de “AVD – Atividade da Vida Diária”, ou seja, melhorar a qualidade de vida reduzindo a dor nas atividades que a pessoa pratica todos os dias.

Por exemplo, há casos em que a dor está relacionada ao estresse decorrente de algum fato da vida pessoal que realmente não pode ser resolvido, como uma pessoa doente na família ou a atividade profissional. É preciso procurar a causa da lesão e atuar sobre essa causa. Se não pudermos remover a causa da lesão, não há como curar a dor, mas poderemos tratá-la e reduzir o sofrimento geral. É uma grande conquista para uma pessoa que sofre de dores e limitações de movimentos quando elas conseguem, por exemplo, voltar a fazer compras no supermercado.

Dores na Coluna Cervical

Para problemas na coluna cervical, o RPG é mais indicado do que a hidroterapia. Porque a grande vantagem da hidroterapia é que ela reduz a pressão da gravidade sobre o corpo, mas o pescoço permanece fora d’água a maior parte do tempo. Já no RPG, é possível trabalhar melhor com o paciente deitado e atuar melhor sobre a dor cervical.

Quando um paciente com dores na coluna cervical me procura pedindo para fazer hidroterapia, às vezes porque o médico indicou, em geral eu indico que ele faça RPG ou outro tipo de tratamento. Se ele quiser fazer a hidroterapia assim mesmo, eu explico que é possível melhorar com hidroterapia, mas ela não tem o mesmo alcance de outras formas terapêuticas.

Hidroginástica, dores na coluna e osteoporose

A hidroginástica é excelente indicação para problemas na coluna, pelo motivo que explicamos anteriormente: a pressão da gravidade é reduzida ao mínimo.

Sobre a recomendação de atividades de impacto para a osteoporose, preciso esclarecer que existem três graus de osteoporose: leve, moderado e severo. A recomendação mais moderna para a osteoporose leve e moderada dá preferência à atividade de impacto, porque é preciso exercer pressão sobre o músculo para que ele pressione o osso e, em conseqüência dessa pressão, o osso “sugue” o cálcio.

Já para o casos severos de osteoporose, definitivamente não se pode prescrever atividade de impacto, porque o osso já está muito frágil e o risco de fratura é muito grande. Por esse motivo, qualquer exercício tem que ser feito dentro d’água. Porque, realmente, você vai ter um ganho menor mas, por outro lado, vai ter segurança de não sofrer uma fratura. Seria uma irresponsabilidade recomendar atividade fora d’água para uma pessoa com osteoporose severa, porque ela pode até quebrar o fêmur!

Para que você tenha uma idéia, os médicos recomendam repouso e administração de cálcio para osteoporose severa, com resultados esperados a longo prazo. Mas, recentemente, uma colega apresentou um trabalho muito interessante: ela conseguiu montar um programa de hidroterapia sem risco de fraturas em que tem conseguido reverter a gravidade da doença do grau severo para o grau moderado.

Tendinite, tendosinovite* e bursite: sinais, sintomas, tratamento

O próprio nome já diz: tendinite é a dor em um tendão. O mais importante é diferenciar a tendinite da bursite. A tendinite dói somente quando você realiza o movimento, já a bursite produz dor tanto parado quanto em movimento.

Basicamente, há uma progressão nos sintomas. Você realiza um movimento e sente uma dor aguda, “fininha”: provavelmente é uma tendinite. Se você não tratar a tendinite, pode desenvolver uma tendosinovite. Se insistir em não se tratar, pode desenvolver uma bursite.

Tratamento: se for uma tendinite leve, vai passar com remédios antiinflamatórios. Aliás, se o agente causador de uma tendinite leve for removido, ela pode até regredir sozinha, até mesmo sem medicamentos. Senão, em quatro ou cinco dias a dor passa só com o uso do antiinflamatório.

Já no caso de um atleta, por exemplo, um jogador de futebol que desenvolva uma tendinite crônica no joelho porque precisa chutar a bola o dia inteiro, ele vai ter que fazer hidroterapia.

Explicando melhor: a hidroterapia é adequada tanto para membros inferiores quanto para os membros superiores, mas é preciso ressaltar que o efeito da redução da ação da gravidade é cada vez mais eficaz quanto mais a lesão se aproxima dos membros inferiores. Quer dizer, é mais fácil tratar o quadril do que o joelho, e é mais fácil tratar os joelhos do que os pés. Então, quanto mais “para baixo” for o problema, mais recomendável é a hidroterapia, porque maior é trabalho sustentação do corpo.

Isso responde à pergunta do internauta que perguntou sobre “tendinite iliopsoas” – isto é, localizada no quadril. Ora, dentro d’água, o quadril suporta apenas 38% do peso corporal. Às vezes a pessoa nem consegue andar e, quando entra na piscina, começa a andar livremente. Milagre? Não, o que aconteceu foi a retirada da pressão sobre o quadril, liberando-o para realizar os movimentos.

Para o outro internauta que perguntou sobre “tendinite no dorso do pé”, a recomendação é a mesma da tendinite iliopsoas, por idêntico motivo, já que o pé suporta integralmente o peso do corpo quando fora d’água.

A tendinite no dorso do pé pode complicar se não for tratada. Eu tive uma paciente que desenvolveu uma tendinite que progrediu para uma fascite e, depois de algum tempo, nem conseguia mais pisar. O tratamento foi bem prolongado, com hidroterapia e alongamento, paralelamente ao uso de antiinflamatórios. Se a pessoa não puder tomar antiinflamatórios, a recomendação é iniciar a hidroterapia o mais rapidamente possível.

* Grafia com um s: www.fm.usp.br/departamento/clinmed/reumatologia/dr-juv.php
Grafia com “ss”: www.biblioteca.unesp.br/bibliotecadigital/document/?down=1875

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3 Responses to “Fisioterapia: Dr. Carlos Vaz responde às dúvidas dos internautas”

  1. richard | 2/05/10

    fiz cirurgiade espondiolistese grau 1 nao paro a dor coloquei 4 pino sera q vou ter q faze de novo.obrigada

  2. Danilo M. Lacerda | 21/06/10

    Dr.Carlos, apresentei um quadro de tendinite patelar a uns 2 meses, pelo que pesquisei me parece que foi por ter praticado futebol sabado e domingo sendo um quadra e outro campo em um tempo muito alto,e alem disso nunca fui de fazer alongamentos.fiz fisioterapia deu uma melhorada mais não foi 100%,voltei as atividades esportivas porem jogando so aos domingos no campo,e voltei a sentir o encomodo,agora começei a fazer academia p/ fazer um trabalho no joelho de fortalecimeto,gostaria de saber se a academia pode resolver o meu problema,porque não aguento mais conviver com essa dor, e quero voltar o mais rapido p/ poder jogar futebol.espero resposta obrigado

  3. Ícaro Pinto | 22/06/10

    Olá Dr. Carlos.
    Eu fiz a duas cirurgia no meu joelho esquerdo: Uma para recuperar o menisco e a outra, para recuperar o ligamento cruzado anterior (artroscopia).
    Fiz 06 meses de fisioterapia e depois voltei para exercícios de fortalecimento na academia durante 04 meses. Após esse período, voltei a praticar futebol de salão sempre me alongando corretamente antes da prática.
    Acontece que algumas vezes quando estou alongando de maneira a puxar a perna esquer para trás até o pé encostar no glúteo, meu joelho esquerdo estala e me deixa com uma sensação estranha, desconfortável, além da pequena dor que incomoda. Semana passada, no momento do jogo, eu firmei o pé esquerdo na quadra e senti meu joelho estalar novamente, trazendo com isso, os sintomas descritos anteriormente.
    Gostaria de saber o que está havendo? Eu sinceramente acho que é falta de exercícios para fortalecimento da musculatura, ou até do próprio ligamento (não sei se isso é possível), pois eu fiquei parado por 06 meses sem praticar nenhuma atividade devido aos horários da faculdade.
    Agradeço desde já sua atenção, aguardo tua resposta.

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